Sobre o amor

Sumi e nesse tempo eu juntei algumas dezenas de páginas lidas. 

Foram várias, desde relatos sobre a vida privada e culta de Sasha Grey até tabela nutricional de cereal matinal. 

Já aviso que esse texto é sobre o amor - para quem não leu o título.

Mas vou começar pelo fim e deixar o começo desse post para o final. Acho válido.

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Terminei a Redoma de Vidro, da Sylvia Plath. Penei mas consegui terminar. É bonito. Bem estilo Virginia Woolf, liberal para a época, depressiva como deve-se imaginar e confusa. Vale a pena a leitura.

E o que isso tem a ver com o título do post? 

"Vi minha vida se desenrolar diante de mim como uma figueira de um conto que havia lido. Da ponta de cada ramo, um gordo figo roxo acenava e me seduzia com um futuro maravilhoso. Um figo significava um marido e um lar feliz com filhos, outro era uma poetisa famosa, outro uma professora, outro era Esther Greenwood, a surpreendente editora, outro era a Europa, a África e a América do Sul, outro Constantin e Sócrates e Átila, um bando de amantes com nomes esquisitos e profissões originais, outro ainda era uma campeã olímpica, e acima de todos esses figos havia muitos outros que eu não conseguia entender. Vi-me sentada sob essa figueira, morrendo de fome, só porque não conseguia decidir qual figo escolheria. Queria-os todos, e escolher um siginificava perder o resto. Incapaz de me decidir, os figos começavam a murchar e apodrecer, e um a um caiam no chão a meus pés."

FIM! 

Ela é incrível, leiam.

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Para saudar a grande revista Bravo! que desfaleceu grandiosamente neste mês, catei um link de um blogueiro maravilhoso que também falou sobre o amor. Não falou, mas deixou registrado algumas outras unidades de livros que dissertam sobre o dito cujo.

Estúpido Cupido, do blog O Transatlântico. 

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~Navegando~ um pouco mais pela web, eu me deparo com este texto - sempre incrível eu amo ele - do Contardo Calligaris na Folha de S. Paulo. É também sobre o amor, que no caso dele foi intitulado: Palavras de amor.

Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe alguém que preenche algumas condições básicas para que eu goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável de minha amada e com as declarações hiperbólicas de meu sentimento.Claro, minha prosa ou poesia poderão, quem sabe, conquistar meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. O efeito mais importante (e esperado) de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto de meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e virulência de minhas declarações.”

Dispenso o incentivo à leitura, pq ele é ótimo!

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Para completar meu mês, comecei a ver Mad Men. Completamente sensacional e genial. A série não é sobre o amor em questão, mas ela retrata a sociedade na década de 60, mostrando de vários pontos diferentes como era o comportamento deles diante de certas situações.

Enfim, no fundo, ali no meio das intrigas, tem amor (independente do que seja o amor). 

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Já não bastasse a notoriedade dessas declarações estarem cada vez mais presentes no cotidiano de qualquer pessoa do século XXI, eu explico:

Se alguém ainda não entendeu o que este post significou, abaixo tem uma imagem  que sintetiza muita coisa, que aliás, me emputeceu bastante.

Eu vi essa imagem perdida em algum canto da internet, e fiquei muito tempo pensando sobre ela. Foi onde eu pensei em escrever esse post, que alias, ia ser SÓ sobre essa imagem. 

Ia ser bem chumbrega, reclamando de como essa geração é desapegada bla bla blá….

Mas na mesma semana, para o desespero do amor, encontrei vários outros links que tratavam praticamente da mesma coisa.

Juntei tudo e ainda estou seriamente pensando sobre o assunto e o que tudo isso significa. 

Incrível, não?

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A autora decidiu trocar o título para algo mais apropriado e óbvio: "O amor em crise".  Para esse título ficar mais claro e representativo  ela acha necessário explicar que a sociedade anda em crise. Convenhamos, quem parafraseia o tão incrível Pequeno Príncipe?  Quem teria tanta crueldade? Quem seria tão desalmado?

Alguém que no mínimo, sofreu de amor!